terça-feira, 30 de dezembro de 2025
POEMA NUA
NUA, de Saul Dias *
.
I
Nua
como Eva.
A cabeleira
beija-lhe o rosto oval e flutua;
o corpo
é água de torrente...
.
Eva adolescente,
com reflexos de lua
e tons de aurora...!
.
Roseira que enflora...!
.
Desflorada por tanta gente...
II
Teu corpo,
mal o toquei...
.
Só te abracei
de leve...
.
Foi todo neve
o sonho que alonguei...
.
Asas em voo,
quem, um dia, as teve?
.
Os sonhos que eu sonhei!
.
III
Jeito de ave
e criança,
suave
como a dança
do ramo de árvore
que o vento beija e balança!
.
Nave
de sonho
no temporal medonho
silvando agoiro!
.
Quem destrançou os teus cabelos de oiro?
.
IV
Corpo fino,
delicado,
sereno, sem desejos...
.
Tão macio,
tão modelado...
.
Beijos... Beijos... Beijos...
.
V
No meu sono
ela flutua
a cada passo...
.
Nua,
riscando o espaço
numa névoa de outono...
.
Apenas nos cabelos
um azulado laço...
.
E assim enlaço
a imagem sua...
.
in "Sangue"
.
* pseudónimo de Júlio Maria dos Reis Pereira (Vila do Conde, 1 de Novembro de 1902 — 17 de Janeiro de 1983), poeta e artista plástico, irmão de José Régio.
sexta-feira, 17 de outubro de 2025
quinta-feira, 4 de setembro de 2025
POEMA DE PEDRO HOMEM DE MELLO
Noite. Fundura. A treva
E mais doce talvez...
E uma ânsia de nudez
Sacode os filhos de Eva.
A voz do sangue grita
E a das almas responde!
Labareda infinita
Que nas sombras se esconde.
Mas quase sem ruído,
Na carne ao abandono
O hálito do sono
Desce como um vestido...
quinta-feira, 8 de maio de 2025
A BUNDA
Os responsáveis pela bunda (como é conhecida na atualidade, referindo-me ao conceito contemporâneo de bunda; ou seja, a bunda como ela é) são os africanos. Mais especificamente, os angolanos e os cabo-verdianos. Para ser ainda mais preciso, as angolanas e as cabo-verdianas.
Foram elas, angolanas e cabo-verdianas, que, ao chegarem ao Brasil durante as trevas da escravatura, revolucionaram tudo o que se sabia sobre bunda, até então.
Foi assim: naquela época, a palavra bunda não existia. Os portugueses, quando queriam falar a respeito das nádegas de uma cachopa, diziam, exatamente isto: nádegas; ou região glútea (tanto fazia).
Aí, os escravos angolanos e cabo-verdianos chegaram ao Brasil.
Só que eles não eram conhecidos como angolanos nem cabo-verdianos.
Eram os “bantos”, chamados bundos, e falavam o idioma "ambundo", ou "quimbundo": a língua bunda, enfim.
Os bundos, em especial as mulheres bundas, possuíam a tal região glútea muito mais sólida, avantajada, globosa.
Os portugueses, que não são parvos, logo deitaram os olhares para as nádegas das bundas (das mulheres bundas). Quando alguma delas passava diante de um grupo de portugueses, vinham logo os comentários: “Que bunda!” (referindo-se, claro, à africana; não à bunda, propriamente dita, da africana...). Em pouco tempo, a palavra bunda, antes designação de uma língua e de um povo, passou a ser sinônimo de nádegas. E assim nasceu a bunda moderna.
Como se vê... BUNDA TAMBÉM É CULTURA!...
(Autor Desconhecido).
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